Poeminha besta

Que saudade dos dias na Floresta
Sinuca e soneca eram no Cacos
Tia Massako era uma festa
Com pingafight se resolviam barracos
E o reitor só cortando as arestas.

Ai que saudade que eu tenho
De ir para a Requinte
Pedir um 1710 e um café com leite
E agora, que acinte
Só me dão salada com óleo no lugar do azeite.

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Sonho

Tive um sonho outra noite.

Sonhei que eu e uma amiga ajudávamos um professor, já bem velhinho, a resolver um problema de matemática. Ele não falava nada, só aceitava as nossas sugestões.

Então disse que era isso o que ele devia ter feito há muito tempo: calar a boca e aceitar o que vem de fora. Que a partir daquele dia ele iria somente fazer aquilo que pudesse aproximá-lo das coisas que gosta — uma vida mais tranquila, menos falação e, principalmente, mais perto de uma amiga de infância. E então nós duas percebemos que ele sempre amou essa menina, mas ela se mantinha longe.

Ele suspira e diz: “É como se eu estivesse de novo na sexta série”. A gente entra na mente dele e vê os dois juntos, conversando no recreio, entrando na faculdade, os namorados dela, as namoradas dele, os dois trabalhando, a amizade que nunca deixou de ser — e ninguém imaginava o que poderia ter sido.

No fim, ele pega nossas mãos, olha bem fundo e nos pede para fazer uma promessa com ele. “Eu quero conhecer vocês do jeito que vocês são. E quero que me prometam que vão conhecer as pessoas do jeito que elas são. Sem mais e nem menos. Porque só existe amor quando se conhece alguém de verdade”.

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Vamos combinar

Vamos combinar que colocar foto de desenho animado no facebook não tem nenhum efeito sobre as estatísticas de abuso infantil. E que publicar loucamente fotos de cachorros abandonados não quer dizer que você seja um grande defensor dos animais.

Eu acho bacana que as pessoas tenham boas intenções e tudo mais, mesmo que sejam só virtuais. Mas podia rolar um pouquinho só de coerência, né? Sabe, use a internet. Mas não é porque ela existe que você PRECISA descarregar tudo lá, não é? Ou é?

Fiquei uns bons dias sem entrar no twitter e agora vejo que está tudo do jeitinho que deixei: gente reclamando do tempo, das pessoas, de acordar cedo, do Rafinha (bbk) Bastos, umas piadinhas com memes, uns links do Não Salvo e é isso aí. Todo mundo parece que fala a mesma coisa, mas como um não dá bola pro outro fica esse eterno mar de diz-que-diz que nunca acaba.

Na verdade esse deve ser um problema comigo. Porque eu também tô vindo aqui na internertz reclamar dos outros e cuspindo pra cima. Acho que estou um pouquinho azeda. Deixa eu.

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Felicidade, etc

Vou postar essa foto em tudo quanto é lugar porque achei a coisa mais linda.


Sinto falta do Nicola. Dos meus amigos, de receber um abraço apertado. E principalmente, sinto falta do dia de ontem e de todos os outros que vieram antes dele.

E aquela coisa, a vida é muito bonita quando existe a calma.

(Pensando bem, acho que é bonita quando existe qualquer coisa)

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Vida

Um cachorrinho dormindo no sol. Não precisa de muito mais coisa. Um cachorrinho, um jardim cheio de planta, uma toalha de mesa rendada, um sonho qualquer pra se apegar. Cadeiras na varanda e bate-papo furado enquanto o sol cai.

E assim a vida vai.

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Filtros no twitter

Proposta legal para os desenvolvedores do twitter: criar filtros para selecionar o conteúdo que aparece na timeline!

Assim, teríamos quatro abas básicas que agrupariam os seguintes itens:

- Links interessantes (para compartilhar coisas legais que você viu no mundão da internet)

- Cotidiano (para observações banais, tipo “tô com fome, quero leite”, etc)

- Reclamações (auto-explicativo)

- Opiniões (não confundir com a parte de Reclamações. Nem toda opinião é uma reclamação, apesar de estar quase lá em alguns casos)

Assim daria para ler só as coisas que realmente interessam e deixar pra lá a besteirada do twitter. Funcionaria mais ou menos como os filtros do Gmail. Massa, né?

Ok, eu tô brincando. Tem que estar sendo tolerante com a liberdade de expressão. Mesmo assim, tô realmente de saco cheio com o twitter. Toda semana é uma polêmica diferente e daí fica naquele looping eterno: uma pessoa acha um troço legal, outra pessoa acha ruim, aí a pessoa que acha legal discute com quem acha ruim e quem acha ruim discute com quem acha legal e assim por diante, até o infinito. É embasbacante até onde pode ir a polêmica humana.

A polêmica dessa semana é a Banda Mais Bonita da Cidade. Cara, você não pode emitir um muxoxo que seja que já vem uma enchurrada de gente te apoiando ou aporrinhando. Então, não que ninguém se importe, mas como esse é o meu blog e eu posso falar o que quiser, só queria dizer de uma vez por todas O QUE EU ACHO DA BANDA MAIS BONITA DA CIDADE:

O clipe é massa, mas a música é chatinha. E eu juro que não é porque é banda curitibana e muito menos porque é “povo da Reitoria” (eu sou “povo da Reitoria”, por sinal). Só não é meu tipo de música. Eu posso gostar mais ou menos? Posso? Por que o que parece é que tem que ser sempre extremo, amar ou odiar, e daí tem que amar ou odiar pra vida inteira, senão você tá sendo hipócrita. Por favor, me deixem ficar no meio do caminho. E mimimi.

Mas já me toquei de que sou quem está reclamando agora, então respeitosamente me retiro ao meu lugar.

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Por que parei de comer carne

Minha história com a carne era a mais simples possível: quanto mais, melhor. Minha ideia de prato perfeito era mais ou menos proporcional à quantidade de bacon que ia nele.

Então, um belo dia, o Nicola me mandou um vídeo do Peta, avisando que era bem forte, mas que era interessante porque o Paul McCartney narrava. E foi aí que bateu esse tipo de epifania. Não entendi por que aconteceu justamente com esse vídeo, já que eu já tinha visto outros igualmente terríveis e que não me abalaram por mais que cinco minutos. (Se alguém se interessar, o tal vídeo é esse aqui: http://www.youtube.com/watch?v=FgavacZ_47Q).

É claro que eu já sabia de tudo isso. Já sabia que a indústria da carne é a mais cruel possível, que não faz sentido comer um porco numa boa e se horrorizar com a ideia de comer um Cocker Spaniel, que essa indústria é responsável por enormes impactos ambientais e sociais. Quase todo mundo sabe dessas coisas, mas é muito fácil de esquecer quando se sente aquele cheirinho de uma picanha recém-saída da churrasqueira.

Dessa vez, eu decidi pelo menos tentar parar de comer carne. Sem me rotular como vegetariana nem nada, só uma tentativa. Se não desse certo, paciência. E a surpresa é que foi bem mais fácil do que eu imaginava. Mesmo. Faltam 3 dias para eu completar meu primeiro mês sem carne e posso dizer com absoluta certeza: não fez falta.

Se fosse penoso pra mim, tenho certeza de que não aguentaria mais do que alguns dias. Mas, pelo contrário, ficar sem carne no organismo está sendo surpreendentemente bom. Me sinto melhor, mais saudável, leve, com menos sono, menos preguiça. Parece até que procrastino menos. Minhas refeições estão muito mais saudáveis, com mais variedade de legumes e verduras. Agora que não tenho mais a carne como escudo, preciso pensar no que coloco no meu prato. Preciso pensar no que é nutrititivo, no que é gostoso, nas melhores combinações de sabores e tudo mais. A carne, pelo menos pra mim, anulava qualquer divagação sobre a comida, já que um prato normal tem que ter o básico (arroz e feijão ou uma massa) e uma mistura (carne, invariavelmente).

Achei que o mais difícil seria encontrar coisas gostosas pra comer, mas me surpreendi com isso também. Pode confiar: você não precisa de carne no seu prato para se sentir satisfeito e feliz com a sua comida. Eu sempre almoço fora de casa, em algum restaurante perto do meu trabalho, e não senti nenhuma dificuldade em adaptar meu novo cardápio a esses lugares. Arroz, feijão, salada bem colorida e variada, e daí sempre têm alguma coisa boa pra complementar: purê, polenta, ovo, batata, tortas, kibes (sim, tem kibe sem carne!), pastéis, uma infinidade de massas, legumes refogados, quiches… e por aí vai.

Engraçado é que a maioria das pessoas que descobrem que parei de comer carne me dizem as mesmas coisas. Primeiro perguntam: “Mas nem frango? Nem peixe?!!!”. É, não. Isso também é carne. Depois complementam: “Mas nem leite e ovos?”. Ah, isso sim. Pelo menos por enquanto. Parar de uma vez com tudo deve ser bem complicado. E, por fim, a pergunta inevitável: “Mas por que parar de comer carne???????!!!!”. Pois é, eu também não sei muito bem. Pode ser por tudo isso que a indústria da carne é e representa, pode ser pela melhora de saúde que consegui com o cardápio novo, não sei direito. É só uma coisa que faz sentido pra mim agora e que se um dia não fizer mais eu paro. E pronto.

Acho que finalmente entendi aquele lance do Laerte. Eu sempre dizia: “Como assim o cara começa a se vestir de mulher e ninguém pergunta POR QUE ele fez isso?!”. Ué, por que ele quis. Né? Faz sentido essa resposta. Antes não fazia, mas agora faz.

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