Por que parei de comer carne

Minha história com a carne era a mais simples possível: quanto mais, melhor. Minha ideia de prato perfeito era mais ou menos proporcional à quantidade de bacon que ia nele.

Então, um belo dia, o Nicola me mandou um vídeo do Peta, avisando que era bem forte, mas que era interessante porque o Paul McCartney narrava. E foi aí que bateu esse tipo de epifania. Não entendi por que aconteceu justamente com esse vídeo, já que eu já tinha visto outros igualmente terríveis e que não me abalaram por mais que cinco minutos. (Se alguém se interessar, o tal vídeo é esse aqui: http://www.youtube.com/watch?v=FgavacZ_47Q).

É claro que eu já sabia de tudo isso. Já sabia que a indústria da carne é a mais cruel possível, que não faz sentido comer um porco numa boa e se horrorizar com a ideia de comer um Cocker Spaniel, que essa indústria é responsável por enormes impactos ambientais e sociais. Quase todo mundo sabe dessas coisas, mas é muito fácil de esquecer quando se sente aquele cheirinho de uma picanha recém-saída da churrasqueira.

Dessa vez, eu decidi pelo menos tentar parar de comer carne. Sem me rotular como vegetariana nem nada, só uma tentativa. Se não desse certo, paciência. E a surpresa é que foi bem mais fácil do que eu imaginava. Mesmo. Faltam 3 dias para eu completar meu primeiro mês sem carne e posso dizer com absoluta certeza: não fez falta.

Se fosse penoso pra mim, tenho certeza de que não aguentaria mais do que alguns dias. Mas, pelo contrário, ficar sem carne no organismo está sendo surpreendentemente bom. Me sinto melhor, mais saudável, leve, com menos sono, menos preguiça. Parece até que procrastino menos. Minhas refeições estão muito mais saudáveis, com mais variedade de legumes e verduras. Agora que não tenho mais a carne como escudo, preciso pensar no que coloco no meu prato. Preciso pensar no que é nutrititivo, no que é gostoso, nas melhores combinações de sabores e tudo mais. A carne, pelo menos pra mim, anulava qualquer divagação sobre a comida, já que um prato normal tem que ter o básico (arroz e feijão ou uma massa) e uma mistura (carne, invariavelmente).

Achei que o mais difícil seria encontrar coisas gostosas pra comer, mas me surpreendi com isso também. Pode confiar: você não precisa de carne no seu prato para se sentir satisfeito e feliz com a sua comida. Eu sempre almoço fora de casa, em algum restaurante perto do meu trabalho, e não senti nenhuma dificuldade em adaptar meu novo cardápio a esses lugares. Arroz, feijão, salada bem colorida e variada, e daí sempre têm alguma coisa boa pra complementar: purê, polenta, ovo, batata, tortas, kibes (sim, tem kibe sem carne!), pastéis, uma infinidade de massas, legumes refogados, quiches… e por aí vai.

Engraçado é que a maioria das pessoas que descobrem que parei de comer carne me dizem as mesmas coisas. Primeiro perguntam: “Mas nem frango? Nem peixe?!!!”. É, não. Isso também é carne. Depois complementam: “Mas nem leite e ovos?”. Ah, isso sim. Pelo menos por enquanto. Parar de uma vez com tudo deve ser bem complicado. E, por fim, a pergunta inevitável: “Mas por que parar de comer carne???????!!!!”. Pois é, eu também não sei muito bem. Pode ser por tudo isso que a indústria da carne é e representa, pode ser pela melhora de saúde que consegui com o cardápio novo, não sei direito. É só uma coisa que faz sentido pra mim agora e que se um dia não fizer mais eu paro. E pronto.

Acho que finalmente entendi aquele lance do Laerte. Eu sempre dizia: “Como assim o cara começa a se vestir de mulher e ninguém pergunta POR QUE ele fez isso?!”. Ué, por que ele quis. Né? Faz sentido essa resposta. Antes não fazia, mas agora faz.

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Semi-conhecidos

Tem uma música do Elliott Smith que diz: “Você é apenas uma pessoa que eu costumava conhecer”. Cerca de 85% dos meus amigos no Orkut e uns 40% dos do Facebook se encaixam nessa categoria para mim.

Não consigo perceber quando é o ponto exato em que uma pessoa deixa de ser conhecida para se tornar totalmente estranha. Provavelmente isso envolve algo do tipo ficar mais de três meses sem se falar, começar a dar parabéns por scrap (“Parabéns, bjs”) e praticar small talk sempre que um cruza com o outro na rua. Explicando para os meus pais, que lêem este blog e não devem saber o que é small talk (oi, pais!): trata-se da conversa besta de elevador, do tipo: “Nossa, quanto tempo a gente não se vê!”, “Pois é, a gente definitivamente tem que marcar alguma coisa para relembrar os velhos tempos”, “Sim, eu te ligo!” e depois nunca mais se falam. No meio, alguns comentários sobre o clima, os respectivos cortes de cabelo (se forem mulheres, claro) e por aí vai.

Até tentei algumas vezes retomar a amizade com alguns desses semi-conhecidos, mas parece que a força do destino que cada um seguiu torna isso impossível. As pessoas mudam, e para aceitar o novo ser você precisa esquecer do antigo e começar uma amizade nova. Mas a arte do desapego é sempre muito difícil. Na nossa memória afetiva, aquela pessoa deveria sempre ser do jeito que era quando era próxima. Ela tem que nos fazer sentir exatamente do mesmo jeito que fazia nos velhos tempos. E, principalmente, ela precisa fazer reviver uma época nostálgica. A gente esquece que o passado nunca volta, não é mesmo?

Semi-conhecidos, me perdoem, eu não os desejo mal, mas vocês me deprimem um pouco toda vez que eu tento recuperar momentos bons do meu passado com qualquer um de vocês. Não é culpa de ninguém, só minha. Mas o sofrimento de perceber que nunca mais vou me sentir do mesmo jeito que já me senti algum dia me mortifica. Por isso quero respeitosamente pedir o divórcio. Bjs.

 

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Holden Caulfield está de saco cheio

Não chega a ser uma melancolia, mas uma espécie de pretensão de se chegar até ela. Afinal, Holden Caulfield está de saco cheio, andando pelas ruas de Nova York sem saber o que fazer, prestes a ter um ataque de nervos.

Eu realmente gostaria que essa história de nervos voltasse a ser usada, para poder dizer coisas como: “Não posso sair hoje, meus nervos estão em frangalhos”, ou “Não me fale mais sobre isso, meus nervos não aguentarão mais um minuto dessa conversa”. Tudo ficaria muito mais profundo e dramático.

Afinal, essa desvalorização dos nervos se deu com o avanço da ciência (ao descobrir que eles pouco ou nada tem a ver com a situação) ou com a banalização do drama?

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Brilho nos olhos

Sempre que encontro um fio de cabelo branco, me assusto. Eu nem sou tão velha assim e eles já despontam nos lugares mais visíveis da minha cabeça. Principalmente na franja, o que me causa um certo desespero. E o pior é que o comum a todos eles é o fato de serem espetados, grossos e extremamente difíceis de serem arrancados. Resumindo: um saco.

É como uma lembrança permanente de que sim, vou ficar velha, sim, vou me tornar tudo aquilo que rejeito hoje. Acabei de ler um conto da Simone de Beauvoir que dizia que a pessoa só cria de verdade enquanto é jovem, depois acaba por sempre se repetir (e pensa que cria justamente pelo fato de não ter uma memória muito boa para perceber a repetição).

Não sei se é exatamente assim que funciona, mas faz alguns dias que estou me “treinando” para o envelhecimento. Começando a aceitar que meu corpo não é de ferro, que não consigo dominar meu tempo, que tem algumas coisas que se deve simplesmente aceitar (como a burocracia burra que sempre paralisa a vida). Em suma, buscando a tal “serenidade da velhice”.

Estive com esse “treinamento” pela última semana e me atentei hoje ao fato de que com isso estou me tornando velha. Bem, tenho 23 anos, uma idade razoável, em que ainda se pode errar adoidado. Mas  estava ouvindo uma menina mais nova falar e percebi nela um brilho no olhar, aquele brilho no olhar que só se tem quando é jovem e esperançoso. E fiquei terrivelmente apavorada de que eu tenha perdido o meu.

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Love, sister, it’s just a kiss away

Grande dica do Nicola: “Gimme Shelter”, a melhor música dos Stones (na minha singela opinião), também conhecida como minha música preferida da vida, na voz da superpoderosa Merry Clayton, aquela que faz backing vocal na versão original.

Vale a pena!

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Hoje um palhaço me perguntou…

“Você é adulta?”

“Mais ou menos.”

“Mas você gosta de chuchu?”

“Não.”

“Então você é criança!”

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Retrospectiva babaca de 2010 e metas

Fechei 2010 da melhor maneira possível, em um lugar lindo e com pessoas incríveis. Foi o desfecho certo para um ano que trouxe muitas coisas novas (e geralmente boas) para mim. Me formei, comecei a trabalhar como gente grande, me aproximei de pessoas sensacionais, continuo com o amor da minha vida (pausa para superar o clichê). Acho que aos poucos estou encontrando um rumo bom para a minha vida. As coisas se encaminham e a gente nem percebe.

Breve relato do que mais gostei em 2010 – não considerando necessariamente a data em que foi feito, mas sim a que eu conheci:

Melhor filme: O Fantástico Mr. Fox, do Wes Anderson, de que já falei aqui. É um filme “para crianças” muito sincero e terno, com cenas memoráveis.

Melhor série: The Walking Dead. A primeira temporada tem só seis episódios, mas que já me impressionaram de tão bem conduzidos. Menção honrosa a Dexter, que como sempre deixa qualquer um no limiar da sanidade.

Melhor disco: The Suburbs, Arcade Fire. Esse disco é um tiro no pé para quem se sente um pouco perdido e com saudades de casa. Lindo, nostálgico, complexo, sensacional.

Melhor livro: Cicatrizes, de David Small. Quadrinhos com coração e lágrimas.

Melhor viagem: Superagüi. Paraíso natural, cataia, amigos e boas vibrações para o começo de 2011.

Melhor site: o grande e onipresente Ocioso. Brinks (mas nem tanto), esse ano eu curti mesmo usar o twitter.

Melhor refeição bate-pronto: Sanduíche de frango defumado e cream-cheese do Subway.

Melhor show: Paul! Paul! Paul!

Maior tristeza: O Hommer ter ido embora. :~

Maior sensação de alívio: Ouvir a orientadora falar: “Vocês estão formadas”.

Maior vício adquirido em 2010: Strogonoff.

Maior programa de índio: Atolar o carro do Chico no meio do mato no caminho pra uma festa, embaixo de chuva e longe da civilização.

Melhor festa: Essa que a gente ia quando o carro atolou. Apesar da lama, frio e levar uma sacada de farofa na cara, a festa foi memorável.

Melhor companhia: Sempre o Nicola, mesmo nos programas de índio.

Maior vergonha alheia: Galera do twitter falando que odeia nordestino.

Maior orgulho alheio: Lulinha do Brasil.

Melhor revista: Trip.

Melhor filme babaca: Centopeia Humana.

Melhor música babaca: Auto Tune S2. Bed intruder e Eu causei um acidente embriagado aqui.

Melhor compra: câmera fotográfica, casaco de couro baratinho e pendrive (é).

Pior compra: Ingresso pro Paul McCartney posteriormente roubado e que me fez ter que comprar outro.

Melhor moda: Nerdice. Sempre disse que era uma coisa legal. (Mas sem exageros tipo o Michael Cera. Tem que estar usando a parcimônia, brother)

Pior moda: CALÇAS COLORIDAS RAY BAN COLORIDO CABELO DE COLORIDOS, tudo essas coisas restartianas. Tem que ver isso aí.

Melhor lugar para tomar uma cerveja bem de boa: Barbaran.

Melhor lugar para passar raiva eterna: Wonka lotadasso.

Maiores mudanças: Vida profissional: começar o ano como freela, virar estagiária, me formar, começar a trabalhar, começar a trabalhar em outro lugar e por fim virar professorinha por um tempo. Continuar trabalhando.

Metas para 2011:

- Praticar algum tipo de atividade física com regularidade;

- Meditar;

- Ler um livro a cada duas semanas;

- Dormir mais;

- Estudar;

- Economizar dinheiro para viajar;

- Fazer pós-graduação e continuar o espanhol.

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